domingo, 26 de junho de 2011

Bodas de Ouro



"A Amizade é uma alma com dois corpos"
                               (Aristóteles)
                                                    

E eis que chegámos a 2011!
Estamos a comemorar  -  eu, a Céu de sempre,  sonhadora e utópica,  a Conceição Alves, a maravilhosa menina de uma notável  classe,  a Conceição Claro, a sempre disponível companheira , cujo sorriso nos contagia e a Fernanda Coutinho,  linda,  sensata  e  consensual  -  as bodas de ouro da nossa  Amizade.
Como foi que o tempo passou ?

1961 foi “anteontem”!

 Éramos quatro crianças, meninas que iniciávamos  o nosso percurso escolar na ” antiga” Escola Primária  da Venteira, na Amadora.
Travessas e inquietas,  formávamos já um grupo coeso e forte, em que a defesa de umas pelas outras era uma constante.

Os tempos eram diferentes e difíceis, particularmente para as meninas.
Mas éramos  tão felizes!

Como foi que o tempo passou tão de repente?
Foi “ontem” que unidas fizemos o nosso percurso na Escola Secundária!

Recordo que nessa altura todos os momentos de intervalo das aulas eram vividos em conjunto.

Os nossos segredos , as nossas aspirações e inseguranças e até os nossos medos eram objecto de uma partilha permanente.
E sonhávamos!

Muito!
Sempre!

Os “Sonhos” eram verbalizados no grupo.
Tarefa de que me encarregavam e que eu fazia com todo o prazer e orgulho.

Eram “sonhos ” em que o mundo, feito à nossa medida, tinha paisagens maravilhosas, viagens, cores, sons, músicas e cavaleiros andantes (ou príncipes encantados de olhos azuis, para a São Alves).
E vestidos lindos,  dignos das princesas que nós éramos!

Nunca  “sonhámos” com riquezas.
Os nossos ideais eram outros: sermos felizes e continuarmos a fazer parte do percurso de cada uma de nós.

Nem sempre a vida tornou esses ideais uma realidade e, em dada altura,  estivemos alguns anos sem nos juntarmos.

Porém,  sempre perto do coração, de tal modo que,  no dia em que voltámos a reunir-nos,  foi como se nos tivéssemos visto no dia anterior.
E tem sido sempre assim, com a normalidade de coisa nossa, sentida, amada e acarinhada como uma jóia rara.

Sem explicação,  pois as coisas do coração não se explicam.

Sentem-se!
Este ano  comemoramos o 50º aniversário de uma amizade pura e rara.

Os festejos iniciaram-se com um dia de prazer e aconchego na Quinta da São Alves, em Arrouquelas.
Entre iguarias várias ( soberbamente executadas pela São A),  fomos brindados pelo Coutinho com fados de Coimbra e de Lisboa, canções do Zeca e poemas declamados ao som da sua viola (e do nosso coro quase sempre desafinado), que  nos levaram,  várias vezes,  às lágrimas.

Puro deleite!

É desta constante que a vida deve ser feita: da partilha, do amor, dos sons , dos cheiros, dos afectos e da certeza de termos quem nos ame sem reservas e sem julgamentos.
O amor e a amizade fazem de nós pessoas mais fortes, mais dignas e ajudam-nos a enfrentar os obstáculos mais adversos!

Sinto um orgulho imenso e considero-me uma pessoa com muita sorte por poder contar com a força e companhia destas três grandes mulheres.
De certa forma, os nossos “sonhos” de meninas e adolescentes, foi cumprido!

Céu


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