sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Lisboa - Cidade por mim Amada

Lisboa, a partir de Almada Velha, 2010

 
LISBOA

DIGO:
"LISBOA"
QUANDO ATRAVESSO - VINDA DO SUL - O RIO
E A CIDADE A QUE CHEGO ABRE-SE COMO SE DO SEU NOME NASCESSE
ABRE-SE E ERGUE-SE EM SUA EXTENSÃO NOCTURNA
EM SEU LONGO LUZIR DE AZUL E RIO
EM SEU CORPO AMONTOADO DE COLINAS -
VEJO-A MELHOR PORQUE A DIGO
TUDO SE MOSTRA MELHOR PORQUE DIGO
TUDO MOSTRA MELHOR O SEU ESTAR E A SUA CARÊNCIA
PORQUE DIGO
LISBOA COM SEU NOME DE SER E DE NÃO-SER
COM SEUS MEANDROS DE ESPANTO INSÓNIA E LATA
E SEU SECRETO REBRILHAR DE COISA DE TEATRO
SEU CONIVENTE SORRIR DE INTRIGA E MÁSCARA
ENQUANTO O LARGO MAR A OCIDENTE SE DILATA
LISBOA OSCILANDO COMO UMA GRANDE BARCA
LISBOA CRUELMENTE CONSTRUIDA AO LONGO DA SUA PRÓPRIA AUSÊNCIA
DIGO O NOME DA CIDADE
- DIGO PARA VER

Sophia de Mello Breyner Andresen



Lisboa, a partir do Cristo Rei, 2010

 
Encontrei este poema numa parede do Miradouro da Graça, sítio privilegiado para "olhar" Lisboa.
O busto da Poeta, no mesmo local, parece como que em deleite contemplar a cidade...
Tal como eu em cada regresso.
Olho Lisboa e amo-a
sinto-a
sinto-me em casa.



1 comentário:

IMaria disse...

linda Lisboa.Bonitas fotos. Beijinhos.