quarta-feira, 13 de junho de 2012

COMPANHIA PERFEITA















Gosto desta canção, porque revela uma fé inabalável no presente...e no futuro!


E gosto do Sérgio, porque nos interpela e nos emociona!





Céu



Às vezes ficamos imóveis




Gaivotas planando sobre o rio
Tejo (Céu,  2012)




"(...) Ninguém, em verdade, viaja para uma ilha. As ilhas existem dentro de nós, como um território sonhado, como um pedaço do nosso passado que se soltou do tempo (...) "

                    Mia Couto, in PENSAGEIRO FREQUENTE, (Caminho, 2010)





Às vezes ficamos imóveis.

Parados.

Anémonas na praia...

distante(s)

Doentes da vontade.

Dolentes.

Nada nos move.

Nada nos apetece.

Ficamos expectantes,

espectadores de um estranho bailado.

De uma dança que não nos pertence.

E faz frio!

Faz frio, estando calor...

E, por isso, às vezes, ficamos imóveis.

Quietos,

"mudos como os espelhos"







                                                 "Não sei dizer o que sinto, sinto e não falo"
                                                                             (Fernando Pessoa)








Céu











domingo, 15 de abril de 2012

Poemas com mar ao fundo




Os meus olhos vêem
O meu coração entende
Fica o mar ...
E o poema de Sophia!


Varanda com cheiro a terra molhada

Praia d'el Rei ( Céu )






A Forma Justa


Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo



Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"







segunda-feira, 19 de março de 2012

PAI


Nas mãos de um Anjo




PAI


Às vezes,
tantas vezes,
Sempre!
Penso em ti,
ternamente,
Eternamente.
A tua sombra projecta-se
na superfície lisa.
No banco onde me sento.
Os teus ramos já sem folhas,
onde arestas
me aconchegam,
ternas,
eternas.
Às vezes,
tantas vezes
Sempre!

Penso em ti

Agora, quem te falará da "teoria do caos"?
Serão as tardes, às vezes quietas, que me trarão o eco, tão só, dos teus olhos?
Agora, quem me dirá cantando
-filha, minha filha?
E eu:
Pai!
E tu:
- filha (apenas com os olhos)
e eu a proteger-me na tua sombra contra dragões imaginários
E tu, a aconchegar-me no teu peito
Filha!

Às vezes,
tantas vezes,
SEMPRE!

Em dias como o de hoje, sorrimos cúmplices e seguimos para lá do céu.



Céu

sexta-feira, 16 de março de 2012

Poemas com mar ao fundo

 "Espreitando" o mar da Rocha   (Céu)

 
 

 

 AS MINHAS MÃOS MANTÊM AS ESTRELAS

 
 

As minhas mãos mantêm as estrelas,

Seguro a minha alma para que se não quebre

A melodia que vai de flor em flor,

Arranco o mar do mar e ponho-o em mim

E o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas
 





SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN,
in CORAL (1950) e OBRA POÉTICA (Caminho, 2010)
 




segunda-feira, 5 de março de 2012

Peregrinação

Caminhos de Santiago
Céu

" Donde se cruza el camiño del viento com el de las estrellas "
Céu

"Tú, que habitas en este valle, o peregrino de tierras lejanas..."
Céu

Ermita de Santa María de Eunate
Céu

Céu

" No miren tanto el mapa y sigan adelante "
Céu




Partilho a opinião de António Alçada Batista, segundo a qual aceitar a existência de Deus não lhe provocou qualquer espécie de sofrimento, apesar de não saber explicar a minha relação com Ele.

Acredito, também, como A.A.B., que teria mais dificuldades em estar no mundo como ateia.

A vida é mais misteriosa do que pensamos. Ver as coisas pelo lado religioso será, como muitas pessoas imaginam, mais fácil? Para mim, não há nada de fácil na vida espiritual. É muito mais difícil do que ser apenas racional.


Céu


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Dor Maior

                                                             






                                                                                 Aos meus Amigos
                                                                                 Fernanda e Benvindo



Haverá maior dor do que a perda de um filho?
Nada nem ninguém nos prepara para isso!
É um amor de pureza original.
Ansiamos e preparamo-nos para o seu nascimento.
Tememos pelas noites em que choram e não sabemos como enxugar as suas lágrimas.
Cuidamos dos seus primeiros passos.
Acolchoamos as ruas e as casas, para que não se magoem.
Um sorriso, apenas um sorriso deles e o nosso coração fica pleno, inteiro de felicidade.
Estamos preparados para os cuidar, amar e proteger.
Mas nunca para lhes dizer adeus!
Como desatar, então, o nó que aperta e sufoca o peito dos pais que perdem os filhos?
Como superar o enorme buraco negro que fica nos  seus corações?
Não sei o que dizer.
E nem me atrevo!
Que Deus os sustente e os ilumine.




Céu