quinta-feira, 22 de setembro de 2011
A Força de um Abraço
Este vídeo, que mão amiga me fez chegar, trouxe-me à memória os tempos do voluntariado no Serviço de Pediatria do Hospital de Santa Maria.
Foram tempos muito gratificantes!
Nem sempre fáceis...
A minha colaboração era prestada no Pavilhão das Consultas Externas.
"João" tinha 12 anos de idade e era portador de Trissomia 21.
Todos os meses o recebíamos na consulta.
Quando entrava no Pavilhão, entrava com ele a alegria!
Vinha sempre de braços abertos, de rosto iluminado e com um sorriso de fazer espantar as estrelas.
Era terno o seu abraço.
E grátis.
Mas tão valioso!
Sentíamo-nos aconchegados.
Ainda hoje me comovo e enterneço quando me lembro deste menino e do calor do seu abraço.
Obrigada, "João" !
Céu
(Este vídeo insere-se numa iniciativa internacional, que ontem decorreu em todo o mundo.
Em Portugal, a iniciativa esteve em 21 cidades.
O mote dos criadores do evento, parece-me interessante : " se alguma vez pensar que nada na vida é de graça, pense novamente, porque o amor é ! " )
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Poemas com mar ao fundo
ÂNSIA
Não me deixem tranquilo
... não me guardem sossego
eu quero a ânsia da onda
o eterno rebentar da espuma
As horas são-me escassas:
dai-me o tempo
ainda que o não mereça
que eu quero
ter outra vez
idades que nunca tive
para ser sempre
eu e a vida
nesta dança desencontrada
como se de corpos
tivéssemos trocado
para morrer vivendo
eu quero a ânsia da onda
o eterno rebentar da espuma
As horas são-me escassas:
dai-me o tempo
ainda que o não mereça
que eu quero
ter outra vez
idades que nunca tive
para ser sempre
eu e a vida
nesta dança desencontrada
como se de corpos
tivéssemos trocado
para morrer vivendo
MIA COUTO, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas" (Caminho, 2009)
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Memória
| Igreja de Oura, onde fui baptizada ( Céu 2010) |
No seu prefácio à 3ª Edição de “Novos Contos da Montanha”, escrito a partir de Coimbra em Setembro de 1952, coíncidentemente o mês e o ano em que nasci, Miguel Torga refere o seguinte:
“ (…) Painel tosco e montanhês, como sabes. Mas nosso, quer queiramos, quer não, e dos outros também, quando a curiosidade dos outros der a volta ao mundo.
Então embora sorriam da ingénua pintura do artista, hão-de certamente render-se à penitente grandeza destes irmãos serranos, que se purificam com sofrimento universal num purgatório de chamas transmontanas. “
Olhando as montanhas que cercam Pamplona, neste agreste Norte de Espanha, lembro-me de outras montanhas, onde fica a minha Terra, a minha Aldeia, as minhas raízes, o meu chão.
Aldeia também ela agreste, com gentes de gestos rudes, mas afáveis e também bravios, de pele curtida pelo sol e pelo vento Suão, que varre aquelas terras e aquelas gentes sem piedade, como tão bem descreve Torga.
Sejam brancos, verdes ou castanhos, os tons que pincelam a paisagem transmontana, trazem-me à memória imagens que convidam quase sempre à melancolia…não depressiva mas irrequieta, criativa e aventureira.
Como “as gentes” transmontanas!
Por “sortes” , fui nascer a meio-caminho entre Oura, onde me baptizaram e o Vidago : O Monte Meão.
Ali a poucos passos do agora tão luxuoso Palace Vidago e da “milagrosa” Fonte Salus , “padroeira” das Águas de Vidago e Pedras.
A casa onde nasci era, à época, a única, agora um bairro desenvolvido, que junta Oura e o Vidago.
Ficava fora de portas, ouviam-se os lobos e os nossos falecidos.
Coisas do outro mundo!
Aos serões sem televisão, sem nada, as conversas giravam à volta de figueiras onde apareciam “caretos” e “assombrações”, homens com cabeça de bicho, ouriçadas de tão enormes.
E nós, os miúdos, de olhos maiores e mais redondos do que bolas de bilhar, ficávamos mudos e quedos, com medo do escuro e ouvindo o silêncio.
Ansiávamos pelo “chiar” das rodas dos carros de bois, que lentamente subiam as ruas empedradas da aldeia, pois anunciavam o amanhecer , as brincadeiras e os “banhos” na Ribeira de Oura.
Quais formigas trabalhadeiras, os homens e as mulheres da minha aldeia saíam cedo para a rua, para trabalhar a terra, desbravando-a e “cortando-a” a poder de braços.
Ainda hoje me questiono como é possível tirar frutos daquelas enormes fragas!
A minha gente é gente fibra, de granito!
Tal como as suas terras!
Só assim sobreviveram ao sofrimento, ao silêncio, à aridez e à tristeza, atraindo sobre si “as sensíveis criaturas tocadas pela magia da arte e chamadas pelos imperativos da vida” (Torga).
Pamplona, Setembro de 2011
| Terras da minha Aldeia (Céu, 2010) |
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Há dias assim !
| Doce Harmonia (Céu 2011) |
“Doi-me a cabeça e o universo “
Fernando Pessoa
Os aromas trazem-nos à memória outros tempos, outros momentos.
Uns bons, outros nem por isso!Despertei hoje com um cheiro que me fez lembrar a “quimio”.
Num instante, o mesmo sabor a metal, a mesma náusea e um-nem-sei-o-quê de repulsa tornou desconfortáveis o meu corpo e o meu cérebro. Que o dia iria correr mal, já era quase certo!
Senti-me encurralada.Saí de casa.
Lembrei-me do assunto que tinha agendado para hoje.
E que teria de o tratar com alguém, que por sinal, está sempre de mal com a vida e com os outros!
Pensei telefonar para desmarcar, pois não estava com paciência para ouvir lamúrias ou para que, à mínima contrariedade, me levantasse a voz ou fosse desagradável.
É estranho, mas a maioria das pessoas confunde gentileza e amabilidade com “pieguice”, fraqueza ou “lamechice”.
Será que, por vezes, nos esquecemos que ao tomarmos atitudes a favor dos outros, as mesmas podem provocar ânimo, prazer e alegria?
E que o inverso também é verdade?
Será que nos preocupamos em tratar quem está próximo de nós com cuidado, “sem que a bondade seja associada à fraqueza”?Que vergonha é esta que nos tolhe e nos impede de mostrar o amor, o carinho, o afeto, o respeito e até a compreensão pelas falhas dos outros?
Muitos dirão que isto é utopia, que as mudanças têm de ser estruturais, que dependem de todos e não de cada um.Mas perdoe-se-me a minha ingenuidade, acredito claramente que uma formiga ao mudar de sentido no carreiro, pode fazer a diferença.
Imagine-se então se muitas a seguirem ...(O "Zeca" foi um dos que tão bem cantou isto da formiga!)
Foi por isso que, apesar da náusea, da indisposição, do “mau” sabor do café e das memórias dolorosas, enfrentei o dia, disposta a não me deixar "levar" pelo humor negativo do meu interlocutor.Talvez comece por lhe demonstrar que, e citando Almada Negreiros: “A alegria é a coisa mais séria da vida” .
Ou que “É possível mudar as nossas vidas e a atitude daqueles que nos cercam simplesmente mudando-nos a nós mesmos” ( Rudolf Dreikurs).
Céu.
Céu.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Poemas com mar ao fundo
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Do Fundo do Coração
"Chelsea Hotel" , ao vivo em San Sebastian, 1988
"Chelsea Hotel" é uma sublime dedicatória a Janis Joplin, outra figura mítica do meu universo musical.
A sua música é apaixonante; os seus poemas, fortes e plenos de emoção; o seu charme é de um verdadeiro "gentleman"; a sua entrega e generosidade nos concertos ao vivo, mantêm-me sua fã incondicional há mais de 30 anos.
Em 2010, por feliz coincidência, assisti ao concerto de LC, no Pavilhão Atlântico, exactamente no dia do meu aniversário.
Puro deleite!
Já este ano foi-lhe atribuido o prémio "Príncipe das Astúrias", o primeiro a ser entregue a uma figura da "Pop".
Que viva por muitos e bons anos!
É o que lhe desejo do fundo do coração.
Céu
Leonard Cohen
"Chelsea Hotel" é uma sublime dedicatória a Janis Joplin, outra figura mítica do meu universo musical.
A sua música é apaixonante; os seus poemas, fortes e plenos de emoção; o seu charme é de um verdadeiro "gentleman"; a sua entrega e generosidade nos concertos ao vivo, mantêm-me sua fã incondicional há mais de 30 anos.
Em 2010, por feliz coincidência, assisti ao concerto de LC, no Pavilhão Atlântico, exactamente no dia do meu aniversário.
Puro deleite!
Já este ano foi-lhe atribuido o prémio "Príncipe das Astúrias", o primeiro a ser entregue a uma figura da "Pop".
Que viva por muitos e bons anos!
É o que lhe desejo do fundo do coração.
Céu
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