quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Poemas com mar ao fundo

Mar da Costa de Caparica, 2011 (MC)







Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.


Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.


                                                            Pablo Neruda


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Distanciamento

No último fim-de-semana, tive necessidade de relembrar Brecht.

Brecht desenvolve o conceito de Teatro Épico, opondo-o ao conceito aristotélico de Teatro Clássico.

Para tal, serve-se da ideia de distanciamento, com a qual procura incutir no espectador o seu envolvimento racional e o espírito crítico, por contraposição ao envolvimento emocional e a ilusão que o Teatro Clássico proporciona.

Esta síntese vem a propósito da dificuldade que tive em encontrar o ponto de equilíbrio entre a emoção e a razão, na escolha dos temas a colocar neste espaço.

Daí a necessidade de parar algum tempo.

Daí a necessidade de "distanciamento" para ganhar espírito crítico.

A vida é plena de sentimentos, emoções, contradições, encantamentos, caos, ordem...

E, por vezes, "agarramos" as coisas com sofreguidão, a qual nos tolda a razão e nos impede de ter uma visão mais serena e mais lúcida da realidade.

Não sou fã do "tudo controlado", mas também não sou adepta da "roda livre".

Eis-me aqui, hoje, e para o futuro, procurando o ponto certo.

O ponto de equilíbrio.


MC

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Poemas com mar ao fundo




"Só o que sonhamos é o que verdadeiramente somos, porque o mais, por estar realizado, pertence ao mundo e a toda a gente"

(Fernando Pessoa)




PELO SONHO
É QUE VAMOS

Sebastião da Gama




Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?

- Partimos. Vamos. Somos.





MC

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O meu filho

 


"Não são precisas desculpas para falar de quem mais se gosta"

Esta foto...
Era a desculpa.
O pretexto.
Mas nem sei se gostas dela!
Dizes sempre que ficas mal.
E não preciso de desculpas para falar sobre ti!
Amo-te, filho!
Menino que foste,
Homem que és.
Dizes sempre que exagero.
Mas não preciso de desculpas para falar sobre ti!
Cresço contigo
e com a tua humildade.
Fazes-me bem
com o teu equilíbrio
e a tua seriedade.
Mas não preciso de desculpas para falar sobre ti!
Vejo no teu olhar a doçura.
E quando ris
a tua gargalhada é autêntica.
Contagia.
Quando nos rimos juntos,
somos iguais,
próximos!
Verdadeiros.
E não preciso de desculpas para falar sobre ti!

Mãe



"A medida do amor é amar sem medida"

(Santo Agostinho)




domingo, 30 de janeiro de 2011

Empatia

Praia d' El-Rei, 2009

"Nas praias do Oceano
Ao som dos seus bramidos
Enlevam-se os sentidos
Escuta o coração"
                    
                     (Júlio Dinis)


As pessoas desaprenderam de mostrar afecto.
Têm vergonha da ternura.
De um abraço.
De dizer: Gosto de ti.
Talvez, amanhã...
Que nem sempre chega.
De perguntar: como vais?
E escutar a resposta.
De olhar a chuva, de ouvir o vento, de sentir o afecto de uma criança...

Há um afastamento físico entre as pessoas, com consequências negativas na empatia e na expressão dos afectos.

Há uma tentação em cada um de se fechar sobre si próprio, como que à procura de respostas dentro do seu ser, criando em simultâneo a ilusão de uma grande sociabilidade no seu mundo virtual.

Citando Alçada Batista: "talvez as pessoas não sejam capazes de estar com elas próprias e não sei se o ritmo que imprimimos à sociedade irá permitir esse reencontro."

Foi detectada, a nível mundial, uma quebra acentuada da empatia, essa "capacidade de cada um se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende".

Existe, porém, uma outra face do desenvolvimento, no qual poucos parecem estar interessados:  o da expressão dos afectos.

Como alguém referiu "por vezes a revolução ou ser-se revolucionário surge sob a forma de afectividade".

Não tenhamos medo da palavra: precisamos mesmo dessa revolução.

É urgente o desassossego contra a apatia.

O Futuro chegou sem que estivéssemos preparados para o receber.

Temos pressa. Temos sempre pressa.

E esquecemo-nos do que é verdadeiramente essencial: a partilha dos afectos.

Até porque só existimos se estivermos dentro daqueles que gostam de nós!


MC

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

PAI





Oura, Vidago, 2009






...E eu estou mais perto de ti

porque te amo!

Tu ensinaste-me a fazer

uma casa com as mãos,

com os beijos

e com o riso.

Sim, tu estás em toda a parte nesta casa!


MC



sábado, 22 de janeiro de 2011

Uns e Outros

Hoje é noite de reflexão.

Amanhã, os cidadãos deste País são chamados a votar no seu Presidente.

Não sei bem porquê, lembrei-me do filme "Les Uns et les Autres", que me ensinou a gostar um pouco mais do "Bolero" de Ravel...

Sublime!


MC





"C'est pour la musique q' a commencé l' indiscipline"  (Platão)