terça-feira, 6 de novembro de 2012

Poemas com mar ao fundo







Aqui...
Onde a terra se acaba
e o mar começa...
(Camões)


Cabo da Roca - Céu, 2012






Os Amigos



Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.




                                              Eugénio de Andrade









 

domingo, 4 de novembro de 2012

O menino do pijama amarelo





Crianças brincando com bolas de sabão
Plaza Castillo, Pamplona (Céu, 2012)


 
 
                      "Nunca ninguém conseguirá ir ao
                  fundo de um riso de criança"
 
                               Victor Hugo, 1802-1885
 
 
 
 
 
Há meia dúzia de razões na vida que nos podem deixar vulneráveis.
 
Que nos vão direitas ao coração, como diz António Lobo Antunes.
 
Por força das circunstâncias, tenho frequentado o "Hospital de Dia". Todos sabemos do que se trata: lutamos contra o cancro.
 
Mais do que as minhas dores, são as dores dos meus companheiros que me comovem. Que me impressionam.
 
Pasmo com a sua coragem!
 
"Que força é essa Amigo?", lembro-me desta frase de Sérgio Godinho e enterneço-me.
 
Cumprimentamo-nos, porque somos "velhos" conhecidos. Contamos a nossa história. Ouvimos com o coração e expressamos o nosso afecto. A nossa solidariedade.
 
"Estou melhor", diz um ; "hoje não é o meu dia", diz um outro ; "esta segunda vez está muito difícil", comenta um terceiro; e eu digo, sem saber muito bem onde me dói, que são os efeitos colaterais.
 
E, de repente, silêncio!
 
Entrou um menino, talvez com 7 ou 8 anos, vestido com um pijama amarelo. Largo. Muito largo!
Na cabeça, um boné, no braço, a "buterfly", que todos odiamos, presa a um tubo que lhe dava soro. O soro pendurado num tripé de rodas.
 
A imagem desse menino patinando com o tripé, pelo corredor do "Hospital de Dia", nunca mais me irá deixar.
 
Foi direita ao coração!
 
O menino do pijama amarelo, largo, muito largo, SORRIA.
 
Brincava.
 
E nós, por momentos, também brincámos, rimos, enchemo-nos de força, de dignidade e de esperança.
 
 
"Em Pamplona, fez sol...apesar do frio"
 
 
 
 
Céu
 
 
 




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sobrinha da minha vida!








Pequena homenagem no teu 19º Aniversário
 
 
 
 
 
Para a "Menina dos meus olhos":
 
Costumo chamar-te "meu oásis", minha companheira, minha amiga...enfim, tudo isso e mais ainda!
 
É para ti, este humilde vídeo.
 
Parabéns querida e obrigada pela tua presença constante!
 

 


sexta-feira, 27 de julho de 2012

PECADO DA GULA




Oh, Saraiva!
Que belo cenário para se comer e ..."chorar por mais".
Há quase 40 anos que faço esta "peregrinação" e sou sempre "brindada" com comida simples, caseira.
E com verdadeiro sabor!


Puro ar


Tentação


Quente e estaladiço

À moda antiga



Bem rodeados


Com tempero


De comer e "chorar por mais"


Gula


Mais que perfeito

Céu, 2012





FAROL





De noite, ensina o caminho
Céu, 2012




A vida, por vezes, aparece-nos transfigurada.
Atravessamos territórios obscuros.
 Mas o sonho transporta-nos para uma dimensão mágica da sua realidade.

(Comentário ao livro de Gabriel García Márquez, O Amor nos Tempos da Cólera)






Encostado ao teu corpo
fiz-me leve
quase pássaro
quase fogo
para que me sentisses
quase pleno.

Toquei os teus dedos
e a ternura
quase se fez ribeira
quase me fiz nau.

Estremeceste ao tocar-me
serena
Mulher
quase plena.
Menina.
Minha.
E eu, teu.
De alma nua.





Céu















































quarta-feira, 13 de junho de 2012

COMPANHIA PERFEITA















Gosto desta canção, porque revela uma fé inabalável no presente...e no futuro!


E gosto do Sérgio, porque nos interpela e nos emociona!





Céu



Às vezes ficamos imóveis




Gaivotas planando sobre o rio
Tejo (Céu,  2012)




"(...) Ninguém, em verdade, viaja para uma ilha. As ilhas existem dentro de nós, como um território sonhado, como um pedaço do nosso passado que se soltou do tempo (...) "

                    Mia Couto, in PENSAGEIRO FREQUENTE, (Caminho, 2010)





Às vezes ficamos imóveis.

Parados.

Anémonas na praia...

distante(s)

Doentes da vontade.

Dolentes.

Nada nos move.

Nada nos apetece.

Ficamos expectantes,

espectadores de um estranho bailado.

De uma dança que não nos pertence.

E faz frio!

Faz frio, estando calor...

E, por isso, às vezes, ficamos imóveis.

Quietos,

"mudos como os espelhos"







                                                 "Não sei dizer o que sinto, sinto e não falo"
                                                                             (Fernando Pessoa)








Céu